A história doce


Ela estava apaixonada, bastante, talvez mais do que deveria. E aquilo colocara todos os seus sentimentos em confronto. Em algumas noites, tinha raiva do que sentia, da falta de controle. Ela tinha passado um ano sendo treinada para não sentir, porque aquilo já tinha machucado demais...

 

Chorar só de noite, quieta, pra que ninguém enxergasse a fragilidade daquela fase. E foi tudo se anestesiando mesmo, menos no seu calcanhar. Ela tinha um calcanhar de Aquiles forte, que aos poucos foi sendo atingido pela anestesia geral...

 

O seu calcanhar tinha sido o centro da sua vida por quase cinco anos, mais do que justo que fosse realmente uma parte sensível. De tudo o que tinha acontecido nos últimos anos, ele era a certeza de um final bem Cinderela... Sempre fora, até que o castelo se ruiu.

 

E quem acredita? Não havia fotos das ruínas do castelo! Mas o tempo foi passado e ela percebeu o quanto aquele calcanhar não era mais seu. E, numa operação cirúrgica do pé que doeu no coração, a moça se livrou do calcanhar... Mas como doeu. Pelo extremismo também. Onde já se viu arrancar uma parte do seu corpo assim? Mas ele tinha que ir...

 

Hoje um novo calcanhar cresce no lugar daquele (seria a moça uma lagarta?), sem essa de ser baseado em apenas uma pessoa – porque seus sonhos não podem depender de uma pessoa. Ele tá meio fraco ainda, mas nada que os anos de caminhada não endureçam!

 

Esse novo calcanhar coloca todas as suas inseguranças em choque. Ela tem que, vez ou outra, fingir que confia no seu taco... Mas é bom brincar de confiança, pra variar um pouco da mesmisse!



Escrito por Amandinha às 17h00
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Naquela manhã, tudo que fora sempre pregado estava jogado no chão. Junto com as roupas de marca que as moças tanto gostavam. Um riso de sadismo encheu o olhar de uma delas, ao ver sua teoria ser comprovada.

 

Não só não viviam o que pregavam, como o deixavam de viver por vaidade, por vontades vindas do ego. Foi engraçado, pra moça que sabia que era tudo muito grande e bonito pra ser verdade. Mas foi triste, também, porque ela ainda acreditava na fé dos outros... pelo menos na daquelas pessoas...



Escrito por Amandinha às 16h49
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