A história doce


Texto feito faz uns meses...

Numa conversa hoje, eu disse que só aprendia na porrada, mas que tinha mudado muito. Me deu vontade de escrever sobre isso.

 

Por que eu não faço as coisas da escola com antecedência? Porque ninguém nunca me puxou o suficiente, sempre dei um jeito. Coisas escolares sempre me deram prazer, mas são coisas secundárias.

 

Então o que é que me tira desta inércia? A paixão. A paixão por uma coisa que foi muito difícil de conseguir faz com que eu queira aproveitar cada segundo. É nesta hora que eu me ofereço para fazer coisas e quase chego a me encaixar na horrível expressão: pró-ativo. Não é pro-atividade, é paixão. É que tem coisas que colocam sangue nos meus olhos – muito poucas coisas.

 

Outra inércia que eu estou saindo é em relação às amizades. Antes de perder a pessoa mais importante do mundo, eu achava que todos eram substituíveis. Sabe, achava que eram todos bonequinhos, que iam se trocando na minha frente ao longo da vida...

 

Mas doeu demais perder alguém, doeu demais ver que ninguém ia entrar no lugar, que ia ficar vazio – e o vazio machuca. A ausência faz com que as paredes dos sentimentos se apertem, se forma uma ferida (todas as paredes exprimidas, tentando se preencher), uma cicatriz, e ali continua... Cada dia eu aprendo mais a conviver com ela. Tem dia que machuca, quando o vazio se faz presente. Mas quando as paredes conseguem se apertar o suficiente eu nem sinto mais... Doeu tanto que não dói mais, anestesiou.

 

Mas valeu a pena. Valeu porque hoje eu sei que cada amigo meu é tão, mas tão, especial que eu não posso fazer merda. Eu sei que eu tenho que cuidar deles, porque são únicos... e se um dia eles se forem, vou ter que conviver com mais vazios que tentam se preencher involuntariamente.

 

E eu odiei este texto.



Escrito por Amandinha às 02h26
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Não vou mais fazer as matérias obrigatórias dos sentimentos. Eu quero fazer as optativas, gostar de quem eu gosto e não de quem eu deveria gostar. Escolher, sem alguma obrigação pesando sobre as decisões.

 

Escolher o que me faz bem e não o que as pessoas acham que pode me fazer bem. Escolher por mim e não por mais ninguém...



Escrito por Amandinha às 02h23
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